(Fonte: Micro
Sistemas-Julho 1984)
AS
MAÇÃS TROPICAIS
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| A
Apple Inc. foi fundada em 1 de abril de 1976, com o nome de APPLE
COMPUTER CO., este foi o primeiro logo da empresa. |
Quem poderia imaginar que um emaranhado de circuito integrados fabricados na garagem de um engenheiro apaixonado por terminais eletrônicos
viesse abocanhar o grande mercado americano dos micros e se tornar famoso
mundialmente?
Certamente, Steve Wozniak não acreditava nisto quando, em 1976,
levou ao conhecimento da Hewlett um terminal e um BASIC, desenvolvidos por
ele, baseados no microprocessador 6502, um recente lançamento da MOS
Technologv, e depois vendido à Commodore. A HP não se interessou pelo
projeto mas Steve Wozniak e seu amigo Steve Jobs resolveram levar aquela
brincadeira adiante.
Uma das vantagens do produto de Wozniak foi o fato de ser baseado
no 6502, uma evolução do 6800 que havia sido lançado um ano antes pela
Motorola. O 6502 foi desenvolvido por ex-funcionários da própria
Motorola que procuraram introduzir pequenas modificações na sua
arquitetura interna e no processo de fabricação, com vista a diminuir o
custo final do produto.
O idealismo de Steve Wozniak aliado à visão empresarial de Jobs e
mais a experiência em comercialização de Mike Markkula, que se juntou
ao grupo, tornaram o Apple II (a versão final do modelo semi-acabado do
início) um produto de forte impacto no mercado americano. Mais do que um
equipamento, o Apple II criava um novo conceito de micro-pessoal. Era uma
máquina aberta em termos de hardware (pronta para receber todas as inovações
que certamente surgiram), baseada num microprocessador de baixo preço e
com dois fortes apelos: cor e alta resolução gráfica. Após o impacto
alcançado pelo Apple II, a empresa lançou o Apple II Plus, uma nova versão
com um BASIC desenvolvimento pela Microsoft, o Applesoft, residente em ROM
através de uma placa adicional de hardware. O integer BASIC do modelo
inicial passou a ser uma opção em disco para o II Plus, com a
necessidade de mais 16kb de RAM.
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| Este
é o APPLE I, o primeiro APPLE da
história, o original construído por Wozniak e Jobs, foi o
marco que deu início a um dos mais
fantásticos micros de todos os tempos. |
Ainda em cima do vitorioso modelo II, a Apple lançou o IIe que traz algumas implementações:
a inclusão de letras maiúsculas e minúsculas e mais 16Kb de Ram. Na
verdade, o IIe é um projeto com uma diferente concepção em termos de
hardware, pois, nele o número de chips diminuiu e estes passaram a ser
propriedade da Apple Computer, não mais encontrados facilmente
no mercado como os do II Plus.
O Apple III, que surgiu no fim de 1980, apresentava-se como um
computador profissional para processamento da palavra ou contabilidade
comercial, mas teve vida curta. Seu sucessor, o Apple III Plus, que permaneceu no
mercado durante a década de 80, mas nem de longe alcançou os números de vendagem do
modelo II.
Apesar dessa diversidade de versões e modelos, podemos destacar
algumas características técnicas
de hardware e software que caracterizam a linha. Como já foi dito, a UCP
é baseada no microprocessador 6502, com o clock
de 1 Mhz. Na configuração mínima temos 12 K de Rom e 48 Kb de
Ram, conector de saída para vídeo, para gravador cassete, teclado
alfanumérico, além de oito slots para entrada de expansões e periféricos.
O formato do vídeo em modo texto gera 24 linhas x 40 colunas e em
modo gráfico 48 linhas x 40 colunas (baixa resolução) e 192 x 280
pontos (em alta resolução). O sistema tem capacidade para gerar 16
cores, sendo seis em alta resolução.
O sistema operacional em disco é o DOS 3.3 que lançado em 1980
para substituir o DOS 3.2 já trazia algumas deficiências, como a
lentidão na recuperação de arquivos. Para superar essa e outras falhas,
a Apple lançou recentemente o PRODOS, um sistema mais rápido e
sofisticado que introduz novos comandos, como o FRE, FLUSH, STORE e
RESTORE.
Todas essas características que marcam os equipamentos da linha
Apple acabaram por não se limitar ao universo de Steve Wozniak.
Impulsionadas pelo sucesso de vendas alcançado por esses micros, elas se
estenderam muito além da fronteira americana, servindo de espelho a
centenas de outros fabricantes. No Brasil, a história americana se
repete, isto é, a febre dos Apples parece estar tomando conta do país.
Na época nada mais nada menos do que dezoito equipamentos dessa linha
disputavam
o efervescente mercado
brasileiro dos micros pessoais.
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| Dois
monstros dos computadores, os Steves estão segurando a placa do
primeiro APPLE, projetado e construído por eles. |
Parece
meio estranho, mas na verdade são as entranhas do magnífico APPLE
I |
OS FRUTOS NACIONAIS
O lançamento do AP (Unitron),
Maxxi (Polymax) e Microengenho (Spectrum),
na Feira de Informática de 1982, no Rio de Janeiro, inaugurando a entrada
da linha Apple no Brasil. De lá para cá muita coisa mudou e de três
fabricantes passamos para quatorze, um salto que se fez sentir um ano
depois na III Feira Internacional de Informática, em São Paulo. Hoje os
fabricantes garantem que temos o significativo número de 10 mil micros da
linha Apple instalados no país.
Fidelidade ao modelo original foi a palavra de ordem dos que se lançaram
nesse mercado. O velho conceito de que não se deve mudar o que está
dando certo foi seguido a risca pela maioria dos fabricantes. Além disso,
ser a cópia mais perfeita do Apple é até política de marketing de
algumas empresas.
É claro que não se podia esperar do fabricante nacional
sofisticadas implementações o que resultaria em problemas de
compatibilidade com a linha
limitando o uso do vastíssimo banco de programa disponível para Apple.
Mas algumas empresas nacionais descobriram que é possível fazer adaptações
sem alterar o equipamento a ponto de torná-lo incompatível a nível de
software.
A Unitron colocou no mercado um equipamento idêntico ao II Plus,
inclusive com o mesmo design. A implementação da empresa ficou por conta
do recente AP TI (Teclado Inteligente). A nova versão do
AP II tem um
teclado com microprocessador próprio, gerador de caracteres em Português,
maiúsculas e minúsculas, 2Kb de RAM e 2Kb de ROM .
Nem todos seguiram o mesmo caminho da Unitron. A Spectrum, por
exemplo, já no primeiro modelo do seu Microengenho
procurava uma inovação apresentando um novo design. Hoje, o
Microengenho II vem com os incrementos do IIe, teclado numérico reduzido,
caracteres em Português e uma nova apresentação: UCP e teclado estão
separados.
A
CCE foi outra empresa da linha Apple que procurou abrir novos
caminhos ao lançar o Exato. O equipamento já vem com modulador de RF, o
que permite ligá-lo diretamente ao aparelho de TV, teclado numérico
reduzido e cores distintas para as teclas de função. Esses dois últimos
recursos facilitam bastante a digitação.
Nota-se
uma tendência nos mais recentes fabricantes de incorporar geradores de
caracteres em português( Dactron
E, Craft II Plus,
MC-100 e MC-400, além
do Microengenho) e também a opção para CP/M (Manager I e
Apple II Plus
da Milmar), como o microprocessador Z80 incorporado. Outros anunciam
implementações do tipo: fonte automática para selecionar a vantagem
dispensado o estabilizador (Appletronica) e saída de vídeo Pal-M e RGB
analógica (Dactron E).
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