(Fonte: Micro Sistemas - Fevereiro 1984)

A interessante história de Sir Clive Sinclair

                Desde a adolescência, o inglês Clive Sinclair demonstrou duas característica: um gênio criativo para projetar máquinas e um gosto acentuado pelos objetos pequenos. Com apenas 12 anos de idade, ele construiu uma pequena calculadora mecânica e aos 22, após um breve período como redator e editor especializado em eletrônica doméstica, fundou com a sua esposa Anne uma empresa que vendia pelo correio inicialmente transistores e depois radinho transistorizado do tamanho de caixa de fósforos.
              
Na década de 70 projetou uma das primeiras calculadoras eletrônicas de bolso, além de um relógio de pulso digital e de um microreceptor de TV com uma tela de duas polegadas. Esses produtos, talvez por seu pioneirismo, não conseguiram fazer sucesso e tiveram vida breve.
               
Foi em 1980 que Sinclair lançou o produto que iria ocasionar uma verdadeira resolução na microinformática, tornando o computador acessível a milhares de pessoas: o ZX80. Melhor e mais barato computador disponível no mercado, o ZX80 inovava em três aspectos principais: no preço, pois foi o primeiro computador a custar menos que US$100, na eletrônica (reduziu o número de chips normalmente utilizados de 40 para 21), e na programação, com um BASIC simples e poderoso. Vendido inicialmente pelo correio, oZX80 iniciava poucos meses depois a sua escalada para o sucesso através das 112 lojas da cadeia W.H.Smith, na Inglaterra.

               
No ano seguinte, a Sinclair Research voltava a surpreender com o lançamento do ZX81, até hoje considerado como a obra-prima dos computadores pessoais. As inovações tecnológicas desse modelo eram ainda mais marcantes, a começar pelo número de chips, que caiu dos 21 do ZX80 para apenas quatro no ZX81 (uma ROM com o sistema operacional, uma RAM para utilização pelo usuário, a UCP Z80A e um quarto chip projetado pela Sinclair e fabricado sob encomenda por uma firma inglesa de microeletrônica, que controla toda a entrada/ saída do computador, substituindo 18 chips do modelo antigo). Com isso, o ZX81 ficou ainda mais compacto, bonito e barato que o seu antecessor, além de muito mais poderoso: o BASIC residente que ocupava somente 4k no ZX80, foi ampliado no ZX81 para 8 K, o que permitiu acrescentar um maior número de funções e utiliza periféricos, como impressora. O êxito de mercado foi tão grande que o ZX81, em apenas três meses, vendeu o mesmo número de unidades que o ZX80(já considerado um campeão de vendas) em um ano - 50mil -, conquistando de vez não só a Inglaterra e outros países europeus, mas o próprio santuário da informática mundial: os Estados Unidos.

               
Criativo e irrequieto, Clive Sinclair não se conteria em descansar sobre as glorias do passado. E certamente não o fez. Mais um ano de trabalho e o mercado se surpreendia novamente, dessa vez com o Spectrum. Com dimensões aproximadas às do ZX81, um pouco mais caro, mas com uma série de outros recursos, entre eles a geração de cores, este modelo logo conquistou muitos usuários. Enquanto isso, o inventor inglês, retomando o antigo projeto da TV miniatura, desenvolveu um originalíssimo projeto de tela plana, com 20mm de profundidade, 100mm de largura e 50mm de altura, que é três vezes mais brilhante e consome a décima parte da potência de um tubo de imagem tradicional com uma tela do mesmo tamanho. Essa tela irá equipar microtelevisores de tamanho aproximado ao de um maço de cigarros e posteriormente talvez os próprios computadores da empresa. E nas revistas norte-americanas, a Timex Sinclair, que produz os aparelhos da Sinclair Research nos Estados Unidos, já anuncia um novo lançamento: o microcomputador Timex Sinclair 2068, com 48K de RAM, sistema operacional em 24K, cores, som e vários outros recursos, tudo isso por menos de US$ 200.
               
Em vista de todas essas realizações e da genialidade que tem demonstrado esse homem de 43 anos, dono de um refinado humor britânico e amante de carros esportes, capaz de gerar importantes inovações tecnológicas sem ter freqüentado uma universidade, foi que a rainha Elizabeth II concedeu-lhe, a 16 de junho do ano passado (1983), o título de Sir.  

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