(Fonte: Micro Sistemas  - Agosto/1986)

Gravadores X Computadores

            O gravador cassete é um periférico bastante utilizado pelos usuários de micros pessoais. Por esta razão, o CPD de MICRO SISTEMAS fez uma análise das características mais importantes dos modelos de gravadores fabricados no Brasil.

            0 título desta análise pode parecer estranho, pois, afinal, os gravadores e computadores deveriam sempre se completar a não ficar em lados antagônicos. Porém quando alguém descobriu que seria possível usar fitas magnéticas para armazenar dados da memória dos computadores, o gravador cassete passou a ser considerado o meio mais barato para este uso, mas, infelizmente está longe de ser o mais prático.
            Há alguns exemplos no mercado externo do bom casamento entre estes dois equipamentos, como no caso dos micros Commodore e Atari, que possuem gravadores específicos que podem ser totalmente controláveis por software, prestando-se bem ao serviço de armazenamento de dados a programas.
            Entretanto, no mercado nacional o que se vê é o aproveitamento de gravadores comuns, projetados apenas para a reprodução e gravação normal de músicas a sinais não digitais. É verdade que com o lançamento da linha MSX, a Sharp e a Gradiente introduziram no mercado dois gravadores específicos para o use com microcomputadores, mas mesmo estes novos modelos não solucionam perfeitamente o problema.
            Alguns programadores mais extremistas afirmam que usar gravador cassete com computador é um recuo no tempo, pois os drives fazem o trabalho de armazenamento de uma forma bem mais rápida a prática. Apenas não se deve esquecer que nem todos têm condições para adquirir a manter um acionador de disco a os conseqüentes disquetes, sem contar com o fato de que alguns micros nem permitem o use destes equipamentos.
            Dentro desta realidade, MS selecionou os gravadores mais utilizados com os micros nacionais para fazer uma comparação entre os mesmos, possibilitando ao usuário uma avaliação antes de optar por uma ou outra marca.


            NATIONAL - RQ 2222 e RQ 2234

            Os gravadores da marca National detiveram durante um longo tempo a fama de "melhor gravador para micros", com o modelo RQ 2222, que agora foi substituído por um novo modelo, o RQ 2234, sendo que existem outros tipos, de configuração mais simples. O RQ 2234 será o objeto da presente avaliação, pois o RQ 2222 já saiu de linha a tem basicamente as mesmas características do novo modelo sendo que as mudanças mais marcantes são quanto ao design a ausência de tecla PAUSE no RQ 2222.
            O design do novo gravador é agradável a dá uma aparência de solidez, seu teclado é macio a não ofereceu problemas durante os testes, sendo que deve-se destacar a tecla "um toque" que permite acionar a gravação em uma única tecla. A alimentação pode ser feita por 110/220 V ou por 4 pilhas médias que já vêm com o gravador na aquisição, outro acessório que o acompanha é um cabo para liga-lo à corrente elétrica.
            O posicionamento do contador de giros (counter) também é muito bom, ao contrário dos botões de volume a tonalidade que ficam mal localizados, abaixo da alça de transporte, dificultando a visão dos mesmos. Possui uma entrada a uma saída de som a ainda o "plug remote", muito útil para alguns modelos de micro. O som de alto-falante é de boa qualidade, de forma que, se o uso a ser dado não for exclusivamente junto ao micro o equipamento se prestará bem a outras aplicações, já que conta inclusive com um microfone embutido para gravações normais.
            Sua performance junto aos diversos modelos de micros foi boa sendo que só houve dificuldades para ler fitas de má qualidade, gravadas em outros aparelhos. Falta nos dois modelos um posicionamento adequado para regulagem de azimute, pois a mesma só é possível com a tampa do compartimento de fita aberta, este tipo de regulagem é freqüente no use de gravadores com micros a deve ser feito com a fita em movimento, o que é impossível nos modelos National tornando obrigatória a abertura de um furo no chassis do gravador para poder efetuá-la.

CCE – DR 1000

            Lançado como acessório do micro MC 1000, o gravador da CCE foi o primeiro aparelho lançado como data-recorder, mas as sua características são de um modelo comum de gravador cassete, inclusive seu design é idêntico a um antigo gravador da marca “Transcorder”. As teclas de acionamento  são um pouco duras mas não ofereceram problemas durante o uso. O posicionamento do botão de volume é perfeito mas o contador de giros da fita fica muito embutido no chassis, tornando desconfortável a leitura do mesmo. Sua alimentação é de 110/220 V ou 4 pilhas médias. Como acessório traz apenas o cabo para liga-lo à força.
            O uso do DR 1000 com várias marcas de micros foi satisfatório, sendo que foram conseguidos bons resultados de leitura inclusive com fitas de má qualidade ou gravações ruins que não entravam com outros gravadores. Apesar do nome "data recorder", também pode ser utilizado em outras aplicações, pois como já foi dito tem características de um gravador normal, contando com microfone embutido, alto-falante com um som razoável a duas saídas de som ("aux" a "ear") além da entrada "mic" e o "plug remote".
 

GRADIENTE - DR 1

            Este pode ser considerado o primeiro modelo de gravador efetivamente projetado para uso com microcomputadores. Lançado como acessório do micro EXPERT, da linha MSX, suas características refletem um projeto bem cuidado, mas nem por isso sem falhas, sendo que a maior delas é obrigar o usuário a comprar uma fonte externa de alimentação já que o aparelho só funciona com tensão contínua de 6V, que pode ser obtida com 4 pi­lhas pequenas ou um "AC/DC adaptor" com 6V na saída.
            0 problema não está no fato do modelo só funcionar desta forma e sim porque o adaptador não vem com o gravador a nem é vendido pelo fabricante separadamente, deixando o usuário nas mãos das lojas de eletrônica que acabam por lhes empurrar adaptadores, de má qualidade e a preços exorbitantes, que inclusive prejudicam o bom funcionamento do aparelho, tornando às vezes impossível ler uma fita devido a variações na rotação do motor, causadas justamente por adaptadores mal dimensionados.
            O ideal seria a Gradiente colocar no mercado um adaptador para seu gravador ou dotar o EXPERT de uma saída de 6V que pudesse ser ligada ao periférico. Para quem está com problemas com seu DR 1, uma dica: ao comprar seu adaptador, procure um de marca conhecida que ofereça garantia a principalmente que se­já estabilizado, evite os adaptadores com várias voltagens a certifique-se que o "jack" do mesmo seja compatível com a entrada do gravador, o ideal é levar o grava­dor a uma loja de sua confiança e testar o adaptador.
            Fora o problema citado, o DR 1 é o gravador com o mais belo design entre todas as marcas e também o de menor tamanho. Suas teclas estão bem posiciona­das a são de fácil acionamento, apesar de aparentarem alguma fragilidade, destacando-se a tecla "Record", que aciona a gravação de dados com apenas um toque. O contador está bem posicionado ao lado de um "led" indicador de uso. O botão de volume fica ao lado dos "plugs" de entrada a saída e assim como a chave "monitor", não está no lugar mais adequado pois além de deixar o conjunto todo um pouco "espremido", torna necessário olhar o lado do gravador para poder utilizá-los.
            A chave "monitor" é uma inovação para os usuários pois permite ouvir o som da fita durante as operações de gravação ou leitura, o que para os micros MSX é mui­to importante, já que as rotinas originais de gravação dos mesmos não mostram nenhum sinal externo de funcionamento.
            Além da chave "monitor", há um outro detalhe que vai evitar muito "tira-põe" dos "jacks", é o avanço e retrocesso independentes do "plug remote",ou seja,a fita pode ser movimentada independente do controle do micro, isto revelou-se de grande utilidade pois é grande o número de usuários que deixava de usar o pino "remote" apenas para não ser obrigado a digitar todo o tempo MOTOR ON e MOTOR OFF, cada vez que desejava mover a fita.
            Nos testes efetuados a performance deste gravador foi muito boa, apesar de não aceitar bem fitas de baixa qualidade a gravações mal feitas. Nos equipamentos MSX, seu use foi totalmente satisfatório a sua pior performance foi com o micro TK90X. Devido às suas características o use deste aparelho em outras atividades fica um pouco restrito, mas nada impede que com um micro­fone externo o mesmo possa ser utilizado em, por exemplo, reportagens pois seu tamanho reduzido o torna bastante portátil. Este modelo vem sem nenhum acessório.

SHARP - HB 2400

            Lançado quase simultaneamente com o DR 1, também como acessório de um MSX, o HOTBIT, este gravador demonstra ter sido projetado exclusiva­mente para o use com microcomputadores, inclusive os plugs de comunicação vêm com os dizeres "load" a "save" ao invés dos tradicionais "ear" a "mic", outra indicação  desta finalidade é o fato de funcionar apenas com corrente alternada de 110/22CV, pois não possui nem mesmo um compartimento de pilhas.
            Em suas teclas de controle chamou a atenção a tecla "Phase", um comando inédito em gravadores deste tipo e que segundo o manual do equipamento, permite a inversão dos dados que estão na fita, o que pode corrigir uma leitura mal sucedida. Esta tecla, que só tem utilidade durante a leitura de dados, realmente funcionou durante os testes possibilitando ler determinadas gravações que não entravam em nenhum volume antes do acionamento de Phase.
            Como novidades, este aparelho possui também: a tecla monitor; led indicador a acionamento independente do "plug remote" nas teclas de avanço a retrocesso, lamentavelmente não dotaram o HB 2400 da tecla Pause, pois isto o teria tornado um "datacorder" completo. O posicionamento das teclas a saídas, assim como do botão de volume está muito bem distribuído, permitindo fácil operação do aparelho, apenas o design deixa um pouco a desejar, mas isto é mais por uma questão de gosto pessoal, já que se trata de um produto bem acabado que dá a sensação de bastante solidez.
            Nos testes de gravação a leitura o HB 2400 destacou-se dos de­mais gravadores, sendo que foi capaz de ler fitas com baixo índice de aproveitamento a que dificilmente entravam nos outros grava­dores testados. Como acessório, traz apenas o cabo para ligação à rede elétrica. 

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