(Fonte: Micro
Sistemas -1995 ) Há quem goste de remontar a história dos computadores e do processamento de dados à pré-história, ligando-a a marcas em ossos ou pedras. Há quem o faça à Antiguidade, com os ábacos sumérios, chineses ou romanos. É fato que aprendemos a contar nos dedos, e que os primeiros ábacos têm cerca de 5.000 anos: os mais primitivos, simples placas de argila, madeira ou pedra, com sulcos onde pequenos seixos são deslizados, e os mais conhecidos, os de contas em armações de varetas. O termo vem do grego "ábakos", com o significado de tábua, prancha; as demais expressões vêm do latim: dígito de "digitus" (dedo), cálculo de "calculus" (pedrinha, seixo), de onde por sua vez derivam calcular e calculadora; computar, de "computare", justaposição de "cum" (com) e "putare" (contar); contar, por fim, é a ação de utilizar "contas". Essa pequena incursão à origem das nossas atuais palavras, demonstra cabalmente serem esses os instrumentos mais antigos que a nossa cultura conheceu para essa função. O importante é fixar que, desde os primórdios aos nossos dias, a história do processamento de dados, e a do próprio cálculo, ligam-se cada vez mais intimamente à evolução da vida econômica e do pensamento lógico do Homem. A complexidade da civilização agrícola e urbana exigiu o aperfeiçoamento do cálculo em geral, e cada cultura encontrou soluções próprias: os orientais até hoje recorrem ao ábaco, que permite operações velozes e confiáveis; os sumérios e egípcio: desenvolveram sistemas de contagem calendários, e os rudimentos da geometria (além da escrita para registrá-los); os grego; afamaram-se na geometria, os romanos na engenharia; os hindus inventaram o zero trazido por árabes para o ocidente cristão medieval. Na América pré-Colombiana desenvolveram-se matemáticas complexas ligadas às observações celestes, das quais mesmo hoje, pouco conhecemos. DA TEORIA À PRATICA Na
Europa pré-Renascentista, as necessidades da burguesia e do
capitalismo mercantil desenvolvem uma economia monetária e os rudimentos
da Contabilidade. O aumento das receitas (e das despesas) exige novos e
aperfeiçoados meios de cálculo e de controle, multiplicando as
Universidades, impulsionando pesquisa e a ciência. O sucesso desse fórmula
é atestado pela passagem do capitalismo mercantil para o pré-industrial
que redobra as exigências do cálculo, e prepara a fundamentação teórica
que leva às máquinas de calcular. Aqui começam normalmente as
cronologias das apostilas; John Napier (1550-1617), matemático
escocês, inventa os Logaritmos (1614), recurso lógico que reduz a divisão a)
Computação: adição, subtração, multiplicação, divisão e uma operação
decisória elementar; Se
essa máquina houvesse sido completada, o Séc. XIX teria conhecido o
primeiro computador moderno: um dispositivo com memória, controlado por
um programa, utilizado para processar dados. É o programa, conjunto
ordenado de instruções que determina ao dispositivo o que, como, onde e
quando fazer que o torna diferente de uma calculadora. O governo inglês,
sem retorno prático na primeira máquina de Babbage, não se dispôs a
repetir o erro com a segunda, que jamais teve um protótipo, de qualquer
maneira de construção impossível com a tecnologia e os materiais da época.
Apesar disso, um programa de demonstração é escrito (1835) para sua
operação, por Lady Lovelace (Ada Augusta Byron, Condessa de Lovelace, única
filha legítima do poeta Lorde Byron). Ada, que além da educação formal
em idiomas e música, era excelente matemática, com este programa
calcularia séries matemáticas de números. É a ela - a primeira
programadora - que devemos o estabelecimento de importantes funções
em programação: *
Sub-rotinas - seqüências de instruções que podem ser
utilizadas várias vezes em diversos contextos; O
processamento de dados propriamente dito, iniciase nos E.U.A. em 1886,
quando o estatístico Hermann
Hollerith, (1860-1929) funcionário do
National Census Office, observa que o processamento manual dos dados do
censo de 1880, demora cerca de 7 anos e meio para ser concluído.
Raciocinando que o censo seguinte, de 1890, não estaria totalmente
apurado antes do ano de 1900 devido ao aumento da população,
dedica-se à construção de uma máquina para tabular esses dados.
No censo de 1890, 300 de suas máquinas, baseadas nos princípios de
Babbage e empregando cartões perfurados, diminuem a demora do
processamento de cerca de 55 milhões de habitantes para cerca de 2 anos.
O sucesso da máquina leva Hollerith a fundar a própria companhia (1896)
para fabricá-la e comercializá-la: a Tabulating Machine
Company. Através de uma política comercial agressiva, incorporando três
outras empresas, suas máquinas serão vendidas para os Departamentos de
Censo de governos de todo o mundo, e mais tarde para companhias
particulares de porte. Em 1924 o nome da Companhia é alterado para IBM - Industrial Business Machines, pioneira no emprego da eletricidade
para a perfuração/leitura de cartões. A tecnologia de cartões
perfurados só será superada nos anos 60 deste século. |
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