(Fonte: Micro Sistemas  - Novembro/1986)

Joystick, do simples ao sofisticado.

            A quantidade de joysticks disponível no mercado nacional ainda é pequena, mas, mesmo assim, já temos uma boa variedade de modelos. Aqui vai uma análise de alguns destes periféricos existentes no Brasil e, de quebra, alguns modelos estrangeiros.
             Faz-se necessária uma breve explicação sobre os diversos tipos de joystick existentes no mercado, pois, como quase todo produto ligado à informática, não existe uma padronização para este periférico.
            Um joystick é basicamente uma extensão do teclado de um micro, que permite um controle muito preciso sobre um programa. Normalmente é utilizado em jogos, mas seu uso estende-se a diversos tipos de software. Os modelos existentes são bastante variados, principalmente no mercado externo onde podem ser encontrados em formatos inimagináveis, tais como em aparelhos com rádio-controle, usando conexões de raios infravermelhos, e até mesmo alguns sofisticados modelos acionados com um simples movimento de olhos. Taís parafernálias são derivadas da pesquisa espacial a trazem recursos de comando de modernos jatos e helicópteros para os microcomputadores.
            No Brasil, a quantidade de joysticks ainda é pequena, mas mesmo assim bem diversificada já que cada fabricante quer criar seu próprio padrão. O mais popular deles é o modelo clássico da Atari, adotado nos micros TK90X e MC 1000, mas que pode ser facilmente adaptado a outros equipamentos apenas mudando o seu conector.
            Na realidade, torna-se difícil até mesmo estabelecer padrões para joysticks, pois cada micro possui seu próprio padrão; a única divisão possível de ser feita é com relação ao tipo de leitura que pode ser analógica ou digital.
            Os joysticks mais populares são digitais, isto significa que seus comandos apenas enviam ao micro uma mensagem do tipo ligado ou desligado. Já os de leitura analógica podem gerar uma faixa de resistência entre 0 (desligado) e o valor máximo de seu potenciômetro ou resistor, valor este que corresponderá ao estado ligado. A leitura analógica possibilita uma maior precisão, pois o espaço entre o ligado e o desligado é muito demorado para um microcomputador trabalhar. Existem ainda alguns modelos híbridos, que combinam circuitos analógicos com digitais, como no caso da track-ball, que é um tipo muito sensível de joystick, tendo no lugar da torre uma esfera que deve ser girada na direção do movimento desejado.
            Os joysticks constantes desta análise foram selecionados usando como critério sua qualidade e a facilidade de encontrá-los no mercado, e sobre eles será feitas uma descrição e avaliação de sua performance em uso. Para os usuários de micros compatíveis com o Apple e IBM/PC, um quadro adiante mostrará um exemplo do que existe no exterior, já que não encontramos joysticks de boa qualidade para estas linhas em nosso mercado.

 Joystick CCE JS 1000 (modelo standard) 

Colocado no mercado para atender ao CCE SuperGame e ao micro MC 1000, este é o Fusca dos joysticks. Seu design lembra o modelo inicial da Atari com um botão de tiro e alavanca de controle com oito posições. Uma das maiores deficiências deste modelo é a fragilidade da torre de comando, que não resiste a um movimento mais brusco. No entanto, é bastante fácil encontrar peças de reposição.  Este joystick possui uma boa resposta aos comandos, mas não tem boa empunhadura; após algum tempo de use a mão estará cheia de calos e dolorida. Os canhotos terão bastante dificuldade se tentarem usar este periférico devido à posição do botão de disparo.   Além dos equipamentos para os quais foi desenvolvido, este modelo pode ser usado sem adaptações no micro TK90X e qualquer videogame compatível com o Atari.

 Joystick CCE JS 115 P (modelo profissional) 

Oferecendo um alto impacto visual, este modelo serve aos mesmos equipamentos que o anterior, porém sua qualidade é bastante superior. Ventosas de fixação, cabo anatômico a sistema quádruplo de disparo são algumas de suas características principais que, alia­das a uma excelente sensibilidade e resistência, o tornam um dos modelos mais sofisticados da indústria nacional. Construído para ser usado fixo a uma superfície lisa, é ideal para o use prolongado a que exija velocidade e precisão nos comandos, servindo bem a destros e canhotos.

 

Joystick Microdigital 

A Microdigital fabrica diversos tipos de joystick, todos baseados no modelo da foto, sendo que as variações são geralmente no circuito e conectores. Com dois disparadores laterais que, dependendo do modelo, podem ser independentes ou conjugados, a uma alavanca bem dimensionada, os joysticks da Microdigital possuem boa sensibilidade e resistência, além de uma empunhadura que permite o uso prolongado sem muito desconforto. Todos os modelos tiveram uma boa atuação nos equipamentos para os quais foram planeja­dos, permitindo igual facilidade de manejo com as duas mãos. A única preocupação do usuário no momento de comprar um joystick deste fabricante deverá ser prestar bastante atenção ao tipo de equipamento para o qual ele é destinado. Normalmente, eles são diferenciados pelas cores e pelo conector, mas o melhor mesmo é observar bem as instruções na embalagem. Existem modelos para todos os equipamentos fabricados pela empresa.

 

Joystick analógico Prológica

Construído especialmente para o micro CP 400, o joystick da Prológica é um dos mais peculiares modelos do nosso mercado. É um produto profissional, com bom acabamento, porém seu design o torna de difícil empunha­dura, e o posicionamento dos botões de disparo dificulta a sua operação, assim como a falta de centralização automática na alavanca de movimento, que obriga o usuário a um período de adaptação para poder usa-lo com habilidade. Apesar das deficiências de manejo, este joystick tem uma boa sensibilidade e resistência, podendo ser usado sem diferenças com ambas as mãos. Serve para a maio­ria dos compatíveis com o TRS­Color.

 

Joystick JS 1 (Expert)

Este joystick é um modelo específico para a linha MSX, a seu design acompanha o estilo arrojado do Expert. Visualmente causa um grande efeito e seu uso comprova sua aparência. Possui grande sensibilidade nos comandos a demonstrou ser bastante resistente ao uso contínuo. Talvez seu único defeito seja nas ventosas de fixação que só aderem bem às superfícies bastante lisas, o que compromete um pouco seu desempenho, pois é um modelo muito difícil de se manter nas mãos. Os botões de disparo são de funcionamento independente, e o botão inferior é de difícil acesso para os canhotos, mas isso não chega a ser um problema grave, uma vez que a maioria dos programas utiliza os dois botões para a mesma função. Este tipo de joystick serve apenas para os micros da linha MSX, mas podem ser usados pelos compatíveis com o padrão Atari. Neste caso, somente a tecla de disparo inferior poderá ser acionada.

 

Joystick HB 100 (Hotbit)

Este também é um modelo para a linha MSX, com a diferença de acompanhar o design do Hotbit. Sua performance de uso e resistência não deixa nada a dever para o outro modelo, o que leva a conclusão de que esta linha de micros está bem servida por dois joysticks de boa qualidade. O posicionamento do botão inferior de disparo permite sua utilização com as duas mãos, a as suas ventosas aderem com mais facilidade em superfícies variadas. Serve aos mesmos equipamentos que o modelo anterior.

Obs.: Aos hobbystas e curiosos que gostam de mexer nos seus equipamentos, uma sugestão: os dois modelos de joysticks para o MSX podem ser incrementados com a instalação de uma chave-seletora para trocar a posição dos botões de disparo; com isso se conseguirá um melhor resultado em alguns jogos, além de torná-los ainda mais compatíveis com os micros que usam o padrão Atari de joystick. Esta sugestão vale também para os fabricantes que poderiam dotar seus equipamentos com este macete já na fabricação.

 

Joystick Greika para Apple

 Este joystick permite uma boa resposta ass comandos e apesar do acabamento pouco profissional, foi aprovado nos jogos em que funciona, isto porque não serve para a maioria dos jogos para a linha Apple, devido à sua construção híbrida que apenas simula um circuito analógico. É lamentável que, neste período de quase um ano, o produto não tenha sofrido nenhuma melhoria, o que demonstra a estagnação dos pequenos fabricantes frente a um mercado em constante evolução. 0 joystick mostra­do na foto serve apenas para os micros da linha Apple, mas a Greika fabrica outros modelos semelhantes para videogames e outras linhas de equipamentos.

 

Joystick Plancontrol para Apple

Este modelo tem um funcionamento semelhante ao do joystick anterior, com as mesmas deficiências, apenas seu acabamento é bastante superior com uma aparência mais profissional a nenhum sinal de adaptações. Possui boa resistência e sensibilidade, com ventosas de fixação e cabo anatômico. Seu uso será difícil aos canhotos devido à posição do disparador inferior. Serve apenas para o uso em alguns programas da linha Apple.

 

Interface Kempston para TK90X

Os usuários do TK90X de­vem estar cansados de ouvir falar na interface Kempston e muitos não têm nem idéia do que seja este periférico. A interface Kempston é um circuito que, ligado ass micros da linha ZX Spectrum, permite que a eles seja conectado um joystick padrão Atari. A razão da existência desta interface é principalmente pelo fato de que os micros ZX Spectrum originais não possuem conexões para joysticks. No Brasil, este periférico começa a ser fabricado e acrescenta ao TK90X algumas vantagens interessantes, ou seja, permite que sejam usados simultaneamente dois joysticks, o que em certos jogos é muito desejável. Acrescenta também um botão reset, que vem incorporado à interface, acabando com o liga-desliga da fonte, a possui ainda um led indicador. O fabricante da primeira Kempston brasileira é a firma Arcade, dirigida por Paulo Roberto V. Pereira, que já é conhecido dos usuários de ZX81, desde que criou uma placa de redefinição para micros desta linha.  

Joysticks importados

 Os micros da linha Apple e compatíveis com o IBM-PC sempre foram mal servidos em matéria de joysticks; isto aqui no Brasil, mas não no mercado externo. Lá existem inúmeros modelos a seria impossível descrever todos. A seleção dos tipos aqui representados foi baseada na possibilidade de testa-los e fotografa-los.
               Todos os joysticks escolhidos possuem um excelente acabamento, centralização automática da alavanca, controles de sensibilidade a ajuste individual dos potenciômetros, resistência ao desgaste, além de algumas outras características individuais que serão descritas a seguir. A performance dos mesmos em use é excelente, oferecendo respostas imediatas e precisas aos comandos.

 Joystick Anko (Apple e compatíveis)

Apresentado em duas versões, o modelo em plástico possui três disparadores independentes, um à frente, outro no alto do corpo e um terceiro no topo da alavanca, que serve para acionar o disparo automático. O modelo em metal possui apenas dois disparadores colocados lado-a-lado no corpo do aparelho e não possui disparo automático. Os joysticks Anko são fabricados na Tailândia.

Machine Gun (Apple e compatíveis)

Este é um modelo de competição; possui alavanca altamente sensível e disparadores laterais que permitem excelente empunhadura, possibilitando o uso de ambas as mãos. Caso se deseje disparo automático, há uma chave seletora ao lado dos ajustes de sensibilidade. Com este joystick fica difícil perder um joguinho. O nome do fabricante do Machine Gun é apenas Q. C. e também é proveniente da Tailândia.

 Quick Shot X (IBM-PC e compatíveis)

Este modelo é o mais sofisticado, possuindo seletor para tiro automático, ventosas de fixação, disparadores de alta sensibilidade e alavanca de controle precisa e de perfeita maneabilidade. É fabricado pela Spectravideo, em Hong Kong.

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