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(Fonte:
www.pcajuda.cjb.net)
INTRODUÇÃO AO HARDWARE DO MACINTOSH - Por
Clécio Bachini
A maioria dos profissionais de hardware já
conhece, ou ao menos já ouviu falar, da origem do Macintosh. Mas sempre
vale a pena lembrar.
Geralmente,
o Sistema Operacional é desenvolvido a partir do hardware, no caso do
Mac ocorreu o contrário. A idéia de um sistema operacional gráfico
surgiu após uma visita de Jobs ao PARC, centro de pesquisa da Xerox em
Palo Alto.
Os
pesquisadores haviam criado um sistema em que você lidava com objetos
na tela similares a realidade. Um documento era representado por uma
folha de papel: para se apagar o documento, se arrastava o mesmo por
meio de uma caneta até uma lata de lixo no canto da tela.
Jobs ficou
impressionado e imaginou que aquilo seria o futuro da informática. O
problema era que a máquina que rodava o sistema era de grande porte e
dificilmente aquilo um dia chegaria a o usuário comum. Jobs saiu dali
com a idéia fixa de portar o sistema para um microcomputador.
Junto
carregou com ele quase toda a equipe de engenheiros e pesquisadores, que
passaram a trabalhar no projeto Lisa,
da Apple. Isto tudo ocorreu em 1979.
Em 1983, o
projeto do hardware estava praticamente pronto. Foi lançado então o Apple
Lisa, uma máquina absurdamente equipada e cara para a época. Tinha
1MB de memória e monitor gráfico acoplado. Custava a bagatela de US$
7.000,00. Foi um fracasso.
Já no ano
seguinte, Apple lançou a versão doméstica do Lisa, o Macintosh.
Ele foi lançado
com um comercial memorável que dizia: "1984 não será como
1984". O Mac foi a primeira máquina a se auto-apresentar. Em sua
apresentação, uma voz sintetizada dizia: "Olá, eu sou o
Macintosh. É bom estar fora daquela embalagem. Mesmo não estando
habituado a falar em público, gostaria de compartilhar um pensamento
que me ocorreu: Nunca confie num computador que você não consegue
levantar", referindo-se aos mainframes da IBM.
Quanto a
luta pelo software, isto é uma história a parte. Vamos nos reter ao
hardware.
O hardware
Macintosh original era composto de um processador Motorola 68000, com
bus de 16 bits externos e 32 bits internos a 7,83 Mhz. Vinha com 128KB
de memória Ram e 64K de Rom e 256 bytes de PRAM (Ram de parâmetro,
algo como a CMOS dos PC´s). Não possuía Hard drive, mas vinha com um
FloppyDrive Sony de 3.5" de 400k de face única e auto ejetável: o
usuário ejetava o disco através do sistema, como faz até hoje. Havia
pouca possibilidade de expansão.
Possuía
duas portas seriais RS-232/RS-442 com conectores DB-9 e um conector para
expansão de FloppyDisk Drive DB-19. O teclado era ligado na frente por
um conector RJ-11 e a grande inovação, o mouse, era ligado num
conector DB-9 na parte traseira.

Figura 1 - I/O no primeiro
Macintosh.
Hoje em dia
é difícil imaginar a inovação que o mouse introduzia. Scott Knaster,
um dos responsáveis por desenvolver e divulgar o software do Mac,
dizia: "Quando se pensava em comprar um microcomputador, as
perguntas que se faziam ao vendedor eram: Quantas linhas de texto este
micro suporta? Quantas teclas de função ele possui? Quando surgiu o
Macintosh, estas perguntas perderam o sentido, pois o a quantidade de
linhas de texto dependiam do tamanho da fonte, e não haviam teclas de
função, mas um mouse, que acionava um menu e todas as funções do
computador."
Com
Macintosh 128k, logo se percebeu que a pouca memória era um problema
para programadores mais ousados, então logo foi lançada sua segunda série,
o Macintosh 512K.
Nele poderia se instalar um drive para disquetes de dupla face de 800K.
Mas não era o suficiente. Os Hard Drives já abriam um novo horizonte e
os limites dos disquetes já eram claros.
Em meados de
1986 foi lançado o Macintosh Plus. Ele vinha de fábrica já com 1MB de
memória SIMM expansíveis até 4MB por meio de dois slots de 30 vias!
Na época, a maioria dos micros vinha somente com memória soldada na
placa.
Macintosh até
hoje bem pouco tempo possuía hard drives internos e porta de expansão
no padrão SCSI. Isto permitia não só ligar um HD externo, bem como
outros periféricos. Mas o mais significativo foi a introdução das
portas seriais (ModemPort e PrinterPort) com conectores MiniDIN-8,
compactos e fáceis de plugar, que permitiam a comunicação com
qualquer equipamento serial.
O mais
interessante era a possibilidade de se montar uma rede AppleTalk
simplesmente interligando dois Macintosh's ou através de conversores,
utilizar a fiação telefônica comum para construir uma pequena rede
com vários equipamentos.
Isto tudo
intuitivamente em minutos! A geração seguinte dos Mac's (Macintosh
SE) monoblocos trouxe outra inovação que resiste até hoje: o ADB,
Apple Desktop Bus, um bus serial direcionado que permite ligar em
cascata, periféricos de controle como o teclado, mouse ou tabletes gráficos.
O SE vinha
também com um slot de expansão. Mas isto ainda não era suficiente par
tornar o Macintosh competitivo no mercado corporativo.
O Mac
cresceu, e Jobs foi chutado. O executivo da Pepsi que ele mesmo
contratou para gerenciar o crescimento da Apple foi o principal responsável.
O tempo provou que Jhon Sculley entendia mais de refrigerantes do que de
computadores. Jobs fundou a NeXT, que foi comprada a pouco tempo pela
Apple.
O que mais
se reclamava da linha Mac era a pouca possibilidade de expansão. Então,
em 1987 foi introduzido o Macintosh
II, Com um chip de 32 bits, o 68020, a 15,6772 Mhz, seis slots NuBus
(padrão criado pela Texas) com endereçamento em 32bits, e 4 slots para
expansão de memória SIMM 30 vias, dois disk drives, um HD SCSI de
40MB, e finalmete, suporte a vídeo num monitor externo e em cores. O
conector de vídeo era um DB-15.
Outra grande
novidade era a Fonte Ativa, que era controlada remotamente pelo sistema.
Para ligar a maquina, bastava apertar um botão no teclado, para
desligar, bastava dar Shut Down no sistema. Agora sim a Apple poderia
bater de frente com qualquer PC. Nunca se tinha visto nada igual em matéria
de micros.
Finalmente
foi possível a editoração eletrônica plena, a partir dos conceitos
de Metáfora de Desktop (transformar a tela do computador em algo como a
sua escrivaninha) e WYSIWYG (What you see is what you get - O que
você vê é o que você consegue). Nada mais de códigos do Wordstar.
Agora você
podia ver em tempo real o que você estava produzindo, sem previws.
Programas como o Audus Pagemaker salvaram o Macintosh. Um Mac
II e uma AppleLaser Writer podiam fazer coisas que levavam dias em
apenas algumas horas. Foi uma revolução. O Mac em cores permitia a edição
de fotografias. Em pouco tempo, empresas como a Radius já ofereciam
placas de alta resolução e monitores especiais de até 20". Em
milhares de cores.

Figura 2 - I/O no Macintosh II.
As gerações
seguintes do Mac II trouxeram novos chips (Motorola 68030) e mais
compactação. O Mac IIci e o Mac
IIcx, com um gabinete pequeno e retangular, era elegante e poderoso.
Havia ranhuras em sua lateral que permitiam que ele fosse pendurado como
uma gaveta debaixo da mesa, assim como colocado na vertical ou na
horizontal. Não havia muitas novidades no hardware. A diferença entre
os dois é que o CI possuía a placa de vídeo On Board.
As novas
gerações do Mac II foram trazendo modificações no clock e no
gabinete: Menor, mais arredondado e, posteriormente, com suporte a CD
ROM. Os herdeiros dos Macs monoblocos agora eram a Serie Classic. Uma
modificação significativa foi a série LC.
A série LC
tinha um conceito especial: Micros finos, leves, que não ocupassem
muito espaço. Sua altura era pouco mais do que a altura do drive de
diskete. Não possuía a fonte ativa e sua expansão era limitada a um
slot LC Card.
Em 1990, as
coisas já não eram as mesmas. O Macintosh ainda era uma máquina que
fazia coisas que as outras não faziam, mas a Apple estava longe de ser
a empresa revolucionara e inovadora dos anos 80. Um ano antes, a Apple
lançou um Laptop, o Macintosh Portable.
O engenheiro
de projetos era tão obsessivo pela qualidade do produto que acabou
criando um monstro. Era tão grande e tão pesado que necessitava de um
carrinho para ser carregado. Como novidade foi bom, como produto, um
fracasso.
O verdadeiro
notebook Macinstosh veio em outubro de 1991. O PowerBook 100 era bem
projetado: robusto, leve e elegante. Ganhou vários prêmios de design.
Por dentro, ainda era bem parecido com o portable. Vinha com o já
ultrapassado processador 68000. Não tinha drive de disketes. Este era
conectado externamente ao equipamento. Entre os conceitos que introduziu
estava o trackball embutido e descanso para os pulsos.
As novas séries
de PowerBooks foram alterando o que era necessário: Mais velocidade,
mais expansibilidade, cores na tela. A grande novidade em matéria de
portáteis veio somente em outubro de 1992. O PowerBook Duo/Dock tinha
um conceito muito interessante.
O
equipamento era composto de duas partes: o PowerBook Duo, simples, sem
comunicação ou expansão (apenas um slot na parte traseira) e o Dock,
chassi onde se encaixava o PowerBook. Quando isto era feito, ele se
transformava num micro de mesa, com monitor, teclado, impressora e
demais periféricos. As expansões eram possíveis no Dock, e assim, o
usuário poderia sair para apresentar um trabalho com o Duo e processar
tarefas pesadas com o Dock.
A última
serie de computadores CISC profissional da Apple foi a Quadra/Centris.
Com o Chip 68040, era muito rápido em relação a seu clock. Até hoje
tem gente que jura de pé junto que o Quadra era mais rápido que
qualquer Power. A série Quadra foi a primeira a vir com suporte a
Ethernet embutido na placa.
Sua morte
era tão anunciada que os últimos modelos vinham com um slot de upgrade
para PowerPC! As versões AV vinham com funções de áudio e vídeo sem
placas auxiliares e inéditas num microcomputador O Quadra 950 era um
monstro de quase 1m de altura. Tinha espaço de sobra para unidades de
disco rígido removível, fita, CD, discos ópticos e outros. Sua placa
era enorme e a fonte assustadora.
E era a máquina
mais rápida da época. E assim morreu o Mac.
Em 1993, a
Apple procurava uma nova família de processadores para suas máquinas.
O chip 68060 não interessava. A IBM já vinha desenvolvendo pesquisas
sobre processadores RISC a um bom tempo. A Motorola, que possuía o
know-how em fabricação de chips em grande escala também procurava
modernizar sua linha.
Daí surgiu
o projeto PowerPC: Um processador RISC de baixo custo e alta velocidade.
A Apple entraria com a base instalada de seus programas. Por um sistema
de micro Kernel, ela fazia uma emulação dos programas antigos para o
novo processador em tempo real. Por isto, no inicio, a velocidade dos
equipamentos decepcionou.
Os primeiros
PowerMacintosh foram lançados em março de 1994, em três modelos: 0
6100 era o mais simples: em gabinete desktop fino, seu chip era um
PowerPC 601 a 60 Mhz possuía um único slot NuBus. O 7100 era mais
robusto. Em gabinete desktop mais alto, tinha espaço para uma expansão.
Vinha com 3 slots NuBus e uma PDS preenchido com uma placa de vídeo.
O 8100 era o
topo de linha. Vinha em gabinete mini-torre com muito espaço. Seu clock
era de 80 Mhz. Havia uma saída de vídeo no formato HDI, que não
colou, pois não era compatível com monitores mais antigos. Todos estes
modelos tinham como opcionais os recursos AV, para captação de áudio
e vídeo e o CD-ROM.
Na verdade,
eram simplesmente transposições dos micros da linha Quadra/Centris com
chips PowerPC, sem muitas novidades.

Figura 3 - Placa principal do
Power Macintosh 7100.
As mudanças
significativas ficaram para geração seguinte: Em maio de 1995 a nova série
de PowerMacs começou a aderir aos padrões de mercado. Os slots NuBus,
já obsoletos, foram substituídos pelos PCIs.
Assim, as
placas usadas em PCs poderiam ser utilizadas também em Macintosh,
simplesmente implementando driver para a plataforma. A porta Ethernet da
placa foi implementada também no padrão RJ-11, além do ACI usado
anteriormente e que geralmente precisava de transceivers para ser
utilizado.
As máquinas
ganharam vida nova. A linha 7200 continuava utilizando o PowerPC 601,
mas agora possuía 4 slots de memórias DIMM. Seu gabinete é um show a
parte. Sem parafusos, bastava puxar a capa e levantar a fonte através
de dobradiças e se tinha acesso total a placa principal.

Figura 4 - Macintosh 7200. Este
modelo de gabinete foi utilizado até a primeira geração de G3´s.
O PowerMac
8500 (mini-torre) e 9500 (torre) possuíam um chip PowerPC 604, que
agora vinha numa placa em separado, facilitando o upgrade. A diferença
básica entre os dois é o número de slots: 3 no 8500 e 6 no 9500. O
8500 era uma máquina pronta para aplicações multimídia.
Vinha com
portas de áudio e captação vídeo de série e uma saída vídeo
monitor on board. O 9500 vinha com uma placa de vídeo ATI e era mais
cru. Seu objetivo era: "Pegue esta máquina e faça dela uma
workstation". Assim, as pessoas que compravam o 9500 o
transformavam em estações e áudio, vídeo, animação, 3D, CAD,
servidores etc.
A linha
desktop foi sofrendo alterações no chip. 7500, 7600, 7300 vinham no
mesmo gabinete (que na verdade era quase perfeito, o verdadeiro estado
da arte) mas agora com o chip na Processor Board.
Pessoalmente,
o PowerMac 7300 200Mhz foi a máquina mais estável com a qual já
lidei. E a mais rápida até o surgimento dos G3.
Junto com o
7300, foram lançados dois modelos torre. O 8600e o 9600 eram máquinas
inteligentes, sem muitas novidades. A diferença essencial entre os dois
modelos continuava sendo o número de slots PCI: três no 8600, seis no
9600. A única inovação realmente notável foi o novo gabinete, idêntico
para os dois.
Ele foi
inspirado no gabinete desktop, e dava total acesso a placa em apenas
dois movimentos. Sem parafusos, sem fadiga, sem traumas. Não era mais
necessário retirar a placa principal para instalar memórias ou fazer
uma vistoria de rotina. Tudo agora era mais simples.
Outra
novidade era o Zip Drive como opcional. Esta foi a ultima geração
antes da grande revolução.

Figura 5 - Gabinete inteligente
utilizado desde o 8600 até o G3 torre.
Tudo bem. Os
pequenos usuários devem estar revoltados comigo, pois quase nada
comentei sobre a série de Macs para uso doméstico. Estaria cometendo
uma injustiça com os Performas, e talvez o meu Performa 6360, onde
estou escrevendo esta matéria, apagasse este arquivo como forma de
protesto.
Então vamos
a eles. No inicio, os performas eram exatamente o mesmo hardware
utilizados em máquinas profissionais. A única diferença estava no kit
de softwares destinados ao usuário doméstico. A partir do Performa
630, as coisa mudaram um pouco.
Ele já era
uma máquima construída especificamente para usuários domésticos e
por isto tinha sérias limitações. O HD SCSI foi substituído por um
IDE para baixar custos. Os componentes de hardware já não eram de tão
boa qualidade quanto os profissionais.
Isto gerou
uma série de defeitos o que fez o nome da Apple cair ainda mais numa época
que já não era das melhores. Além de tudo os performas eram lentos.
Muito lentos. E tinham pouca possibilidade de expansão. Um slot PDS e
um slot para periféricos de comunicação. Também havia uma baia para
um módulo de TV ou Vídeo.
O 630 foi o
último Macintosh com processadores 68k. Quando os Performas aderiram ao
PowerPC 603 (um 604 com menos cache interno), eram montados basicamente
em duas plataformas. Uma era o mesmo gabinete desktop do 630, a outra
era um monobloco com monitor embutido, como a tradição dos Macintoshes
mandava.
Era uma máquina
elegante, mas a série Performas 5200 eram muito lentas e tinha muitos
defeitos de fabricação. O lema nesta época era fazer o mais barato
possível. Quem perdeu foi a qualidade.
Com a série
6360, 5400 e 6400, houve um salto de qualidade. Os micros agora vinham
com um slots PCI e eram rápidos e estáveis. O 6360 vinha no
tradicional gabinete desktop e o 5400 (que não foi vendido no Brasil)
no gabinete monobloco. O 6400 vinha num gabinete minitorre.
Com um
sistema de som respeitável e uma placa de alta qualidade virou o sonho
de consumo da época. Havia uma baia de expansão onde se poderia
colocar um ZipDrive ou outro HD. Com o nome sujo pela baixa qualidade, a
Apple resolveu mudar a denominação dos Performas para PowerMacs, para
atingir também um mercado de pequenas empresas.
Então, o
PowerMac 6500 era na verdade o 6400 com um chip 604ev, assim como o 5500
era um 5400 com o mesmo chip. Este foi o último modelo da série doméstica
a ser vendido no Brasil. Até pouco tempo ainda era encontrado nas
lojas. Uma boa máquina.
Com a política
de clones adotada desde 1994, o mercado de Macintosh foi canibalizado:
em 1996, 30% do mercado de Macs era dos clones. Este realmente foi um
erro grande, embora parecesse a coisa certa a se fazer na época.
Os clones
eram burocráticos. Iam contra o jeito Macintosh de se fazer as coisas.
Componentes de baixa qualidade, gabinetes de PC. Tudo era terrível. O
Mac havia se transformado num micrinho comum. Eu mesmo tive oportunidade
de dar manutenção a clones.
Foi uma
experiência horrível. Argh. Os PowerComputings eram realmente
vergonhosos. E assim era política de clones.
Então em
1996, a Apple resolveu desistir do projeto Copland, o sistema
operacional em que havia investido anos de trabalho e alguns milhões de
dólares. Era mais fácil comprar um sistema pronto e adaptar ao Mac. O
primeiro boato foi que o BeOS, de Jean-Luis Gasée, ex-gerente de
produtos da Apple, seria o escolhido. Mas em novembro de 1996, sai a notícia
da compra da NeXT, de Steve Jobs.
Jobs estava
em alta depois que a Pixar, sua empresa de animação, produziu Toy
Story. E isto seria um bom marcketing para a Apple. O sistema
operacional OpenStep, que era montado sobre o kernel Unix Mach3, seria
então o novo sistema do Macintosh. O projeto foi batizado de Rhapisody.
E o que
aconteceu? A Apple comprou a Power Computing e acabou com a política de
clones. Giu Amélio, o ultimo presidente da Apple pré-G3 pediu demissão.
E então, Steve Jobs assumiu "interinamente" a presidência da
Apple. Ele convidou parte da equipe da velha divisão Macintosh de 1984
para integrar sua equipe e o modelo de fabricação do Mac foi
totalmente revisto.
As diversas
placas da época foram resumidas a uma só. A linha doméstica foi
cancelada. A Apple passou a investir fortemente nos mercados já
conquistados. Então, em novembro de 1997 o G3 foi lançado. Placa
pequena e única. O chip PowerPC750 estava num soquete ZIF e os
opcionais como entrada de vídeo e som vinha em uma de uma placa filha.
A expansão
por meio de apenas 3 SlotsPCI gerou certos protestos de alguns usuários.
Mas a máquina era excelente! Nunca se tinha visto um Mac tão veloz. O
rápido acesso ao cache e a memória SDRAM de alta performance faziam
uma diferença impressionante. Chegava a ser até duas vezes mais rápido
que um Pentium II de mesmo clock. O HD e o CD-Rom que vinham de fábrica
agora eram IDEs.
Mas a Apple
não havia abandonado o SCSI. Os gabinetes eram os mesmos da série 7300
e 8600. Revolucionário, mas nem tanto.
Há tempos
corria na rede o boato de que a Apple estava preparando um NC. Algo
novo, para o mercado corporativo. Mas em maio de 1998 veio a surpresa.
Eu mesmo fui testemunha. A tarde, tinha entrado no site da Apple e não
havia nada de novo.
Mas a noite,
quando fui conferir as novidades, ele estava lá: Esquisito, redondão,
azul piscina. "O que é isto?". A pergunta foi inevitável.
Era Jobs agindo, rompendo com o passado. Lá estava o iMac. Era o fim de
uma era de Macintoshes que não sofria mudanças substanciais desde
1987.
Era o fim
das portas ADB e Serial DIN-8.Era o fim do diskete de 3.5". (Na
verdade, os usuários de Mac já não utilizavam o diskete a muito
tempo.) Lá estava ele. Com suas duas portas USB, que nunca ninguém
tinha ousado utilizar unicamente, e sua Ethernet. Tinha também uma
porta de Infravermelho (praticamente inútil). Foi um boom.
Era um G3,
mas para uso doméstico. Parecido com um brinquedo. Com preço baixo.
Antes de seu lançamento oficial, em agosto, a loja virtual da Apple já
tinha 200.000 encomendas. Até o Natal, foram vendidas 800.000 máquinas.
O maior fenômeno da indústria de informática de todos os tempos. Começaram
a pipocar hardwares compatíveis com USB e os desenvolvedores voltaram a
pensar no Mac como algo viável.
Aqueles que
previam a morte do Mac morderam a língua. Foi um momento muito feliz da
minha vida.
E assim, na
MacWold de São Francisco, surgiu a nova série G3. Em gabinete translúcido
e matando de vez as velhas tecnologias. Morreu o SCSI. Morreu o
RS-232/RS-442. Por outro lado, nasceu o FireWire. Esta tecnologia de
comunicação desenvolvida pela própria Apple no inicio da década, foi
suportada pela indústria de vídeo digital como um padrão da transmissão.
Permite
ligar até 127 equipamentos em série uma velocidade de 400Mbps. Em
pouco tempo poderá chegar a 2Gbps! Muitos equipamentos profissionais já
estão aderindo ao padrão. Em breve poderemos ter HDs externos de alta
capacidade que podem caber no bolso, sem a necessidade fonte de alimentação,
pois o cabo FireWire já fornece a corrente necessária para os
equipamentos funcionarem.
O diskete
foi definitivamente enterrado. No máximo, um ZipDrive. Os chips são os
primeiros construídos com a nova tecnologia de cobre, em clocks de 300,
350 ou 400Mhz. Seu desempenho é surpreendente. Chega a ser até duas e
meia vezes mais rápido que um Pentium II 500Mhz. A Placa principal vem
com um chip ATI Range para aceleração de vídeo e 3D e a bagatela de
16MB de Ram de vídeo.
Os preços
nos EUA são animadores: o modelo básico lá custa US$ 1900,00.
Futuramente faremos uma análise especifica das novas tecnologias destes
equipamentos.
Também
nesta ocasião foram lançados os iMac coloridos. Com clock alterado
para 266Mhz e sem a porta de infra vermelho, ele é basicamente igual a
série anterior. Mas esta jogada de mestre rendeu mais alguns milhões a
Apple.
O futuro da
Apple de Jobs promete. Corre fortes rumores na internet de um PDA da
Apple rodando o MacOS. O MacOS X já é um sucesso e com um projeto de código
aberto promete evoluir rapidamente. Na feira de São Francisco havia um
servidor PowerMac G3 com Mac OS X Server ligado há dez iMacs sem HD,
nos quais não se sentia perda de desempenho.
Até o final
deste ano deve surgir a série G4, com a técnologia AltVec. Boatos
sobre testes preliminares dizem que os novos processadores chegam a ser
cinco vezes mais rápidos que os atuais G3, e até 10 vezes mais rápidos
que o Pentium III.
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