 (Fonte:
MSX Micro - 1985 n.01)
Chegaram os MSX!
Com
os recentes lançamentos dos microcomputadores Expert, da Gradiente, e
Hot Bit, da Epcom (Grupo Sharp), chega finalmente ao Brasil um dos sistemas de
maior sucesso no mercado mundial: o MSX.
Mas, não foi
por mera coincidência que duas grandes empresas escolheram exatamente o MSX
para equipar seus primeiros produtos no setor da informática de consumo.
Ele oferece uma vantagem essencial para o consumidor: a padronização.
Quem adquire um
micro MSX, tem a garantia de que toda e qualquer modificação futura
respeitará seu investimento em software, periféricos e desenvolvimento de
programas.
Outro ponto
importante na padronização é que o usuário não ficará atrelado a uma só
empresa. Quem comprou micros como o TI99/4A
da Texas, Adam da Coleco ou o Aquarius da Mattel, ficou inteiramente
largado quando estas empresas decidiram encerrar a produção de seus
produtos. Mesmos os possuidores do VIC 20 da Commodore, empresa que atua até
hoje no mercado, ficaram decepcionados ao descobrir que o modelo que sucedeu
seu aparelho, C-64, não rodava os programas comprados para seu
micro. Isto, porquê estes sistemas eram suportados apenas por uma
empresa.
No caso do MSX,
pelo menos trinta companhias a nível internacional estão fabricando micros
com o novo padrão. E entre estas, encontram-se gigantes da eletrônica
mundial, como: Sony, Philips, JVC, Panasonic, Hitachi, Toshiba, Pioneer,
Yamaha e muitas outras.
No Brasil, além dos micros da
Epcom e Gradiente, três outras estão em fase final de desenvolvimento
e espera-se que no ano que vem o número de aparelhos a disputar este
mercado chegue a meia dúzia.
Toda
essa agitação em torno do MSX incentiva as empresas de software e periféricos
a desenvolver produtos específicos para o sistema. Em todo o mundo,
multiplica-se velozmente o número de programas e acessórios MSX disponíveis
no mercado. O
início
Tudo
começou quando a Spectravideo, empresa de eletrônica sediada em Hong Kong
solicitou a ASCII/Microsoft japonesa para desenvolver o BASIC de um novo
microcomputador que ela pretendia produzir. Kazihuro “Kay” Nishi,
presidente da Microsoft se interessou pelo projeto e começou a dar palpites
na parte de hardware. Criou-se então o SV-318, um micro que nunca foi lançado
no mercado americano, mas, que serviu de embrião para o MSX.
Nishi sabia do
interesse das empresas japonesas de participar do crescente mercado mundial
de micros. Se cada uma, porém, lançasse seu próprio sistema, as chances
de sucesso seriam bastante limitadas. Ele propôs então o MSX como padrão
a ser adotado pelas empresas japonesas para entrar na briga. Desta forma,
todos os programas e periféricos desenvolvidos para um micro, funcionariam
em qualquer outro do mesmo sistema. Mesmo que as marcas fossem diferentes. E
o esforço de marketing de todas as empresas seria somado para vender um só
sistema: o MSX. E mais, todas as melhorias futuras a serem introduzidas no
MSX, respeitariam a compatibilidade com o padrão original, resguardando o
consumidor.
A
rápida adoção do sistema tem feito crescer o número de fabricantes e
hoje existem micros MSX sendo fabricados por empresas japonesas, coreanas,
chinesas, holandesas, americanas e, agora, brasileiras. Até alguns
fabricantes ingleses de micros prometem para este ano placas para
compatibilizar seus aparelhos com o MSX. No Japão, quase três milhões de
micros MSX já foram vendidos. Na Europa, em menos de um ano, eles já
chegam a 350 mil. Nos EUA, o MSX deverá ser lançado ainda em 1985. E no
Brasil, as previsões são de 40 mil até o final deste ano e mais 150 mil
para o ano que vem.
Hardware
Todo
esse sucesso não se dá apenas por causa do marketing envolvido no projeto.
O MSX é uma poderosa máquina, capaz de atender não só aplicações domésticas,
como também a muitas utilizações profissionais. Seu desenho traz o
conceito de expansibilidade, para adequar-se com grande flexibilidade a
qualquer tipo de uso.
O
microprocessador central é um Z-80 Zilog, operando a uma velocidade (clock)
de 3,58 mhz. O mesmo que opera a grande maioria dos equipamentos
profissionais que utilizam o sistema operacional CP/M. Aliás, os micros MSX
rodam qualquer programa CP/M que utilize 40 colunas. Para os de 80 colunas,
é necessário a utilização de um cartucho especial que passa o vídeo
para 80 colunas. Com ele você terá acesso a milhares de programas
profissionais para atender a qualquer aplicação.
Para controlar o vídeo e elaborar os gráficos, o MSX usa um chip dedicado
da Texas Instruments, que tanto pode ser o TMS9929 ou o 9129A. Ele permite
uma resolução gráfica de 256 por 192 pontos com a utilização de 16
cores simultaneamente. O número de objetos que podem se mover em direções
diferentes na tela ao mesmo tempo (sprites) é de 32. Com estes recursos o
MSX é uma das mais completas máquinas para jogos (Computer games), elaborações
de desenhos e gráficos comerciais. A resolução normal de texto é de 24
linhas de 40 colunas, podendo chegar a 80 colunas através de um cartucho. O
MSX possui saídas para televisores normais (vídeo composto), monitores
monocromáticos ou colorido.
Outro
chip é dedicado especialmente a geração de sons. O AY3-8910 da General
Instruments, um sintetizador de três canais com oito oitavas. Para acoplar
o micro a aparelhos de som, existem conectores padrão RCA. A interface com
o gravador cassete é gerenciado por um circuito PPI 8255, permitindo duas
velocidades para gravação e leitura de dados: 1220 ou 24400 bauds.
Os MSX
possuem ainda uma interface paralela para utilização de impressoras, um ou
dois slots para cartuchos e um bus para expansões.
A memória
ROM, que contém o MSX Basic é de 32 Kbytes e a RAM dos modelos nacionais
é de 64 Kb, além de 16 Kb destinados apenas a controlar o vídeo.
Dezenas
de periféricos podem ser acoplados ao seu MSX. Ligth pens e pranchetas
digitalizadoras para criação de gráficos, joysticks, trackballs e mouse
para controlar os jogos. Disk drives de 3 ½
e 5 ¼ polegadas, e gravadores cassete para armazenamento de dados.
Impressoras, plotters e máquinas de escrever eletrônicas para imprimir
textos, gráficos e desenhos. Televisores coloridos, preto e branco,
monitores monocromáticos ou policromáticos para acompanhar seus trabalhos.
E até pequenos robôs controlados por micros MSX já estão disponíveis no
mercado internacional.
Um dos
maiores fabricantes de instrumentos musicais, a Yamaha, criou uma interface
para ligar seu MSX a teclados musicais ou sintetizadores profissionais que
utilizem a interface padrão MIDI. Com isso, seu micro transforma-se num
poderoso instrumento que pode inclusive “ler” partituras musicais
magnetizadas.
A Pionner.
Líder do mercado mundial de videodiscos a laser, possui um MSX que, ligado
a um aparelho Laserdiscs, permite a utilização de jogos interativos onde
gráficos não são formados pelo computador, mas sim por trechos de filmes
e desenhos animados.
Software
Em termos de software, em qualquer categoria, o sistema está bem servido.
Seu Basic é um dos mais completos dos micros de seu nível e possui um bom
desempenho. É excelente para uso educacional e desenvolvimento de programas
com até um bom grau de complexidade. A manipulação dos recursos gráficos
é simplesmente fantástica.
O número de
jogos do sistema já chega na terceira centena. Todos os principais títulos
já estão disponíveis, entre eles: Pitfall II, Ghostbusters, Declathlon,
Zaxxon, Buck Rogers, Pac Man, Boulder Dash, Antart Adventure, Time Pilot,
Super Cobra e os incríveis Track & Field I e II, que nos fliperamas
brasileiros foram rebatizados de Olimpíadas e fizeram enorme sucesso. A
linha de jogos de esportes do MSX é a mais completa entre todos os outros
micros.
A área
educacional é outro forte do MSX. Inúmeros programas ensinam desde contas
e alfabeto para crianças a partir de quatro anos, até mapas estelares e
matemática de nível universitário.
Para a
administração doméstica, o MSX oferece programas para controle bancário,
orçamento doméstico, fichário, controle de dispensa e outros.
No campo
profissional, o desenvolvimento é um pouco mais lento, mas, de qualquer
forma já existem várias planilhas eletrônicas, banco de dados,
processadores de texto e programas para geração de gráficos comerciais.
Para uso mais pesado, existem os milhares de programas CP/M, utilizados em
escritórios em todo o mundo.
Outra
grande vantagem do MSX é que tendo sido desenvolvido pela Microsoft, a
mesma empresa que desenhou o MS DOS do IBM PC, o MSX possui compatibilidade
de arquivos com seu primo de 16 bits. Isto significa que se você possui um
PC-compatível no trabalho, pode usar em casa seu MSX e enviar os dados por
modem ou cabo para o PC.
No
Brasil, quase 80 programas estão sendo lançados junto com os primeiros MSX.
Entre eles, um para acessar o Videotexto e outro para o Cirandão.
Com tanto
a oferecer o MSX já se coloca entre os principais sistemas de micros para
grande consumo do mercado mundial e é uma forte opção para todos os
consumidores.
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