(Fonte:
CPU
MSX/Amiga - Ano 3 n.31 - 1992-? )
FS-A1GT
MSX Turbo R versão II.
Cerca
de um ano após o lançamento do
primeiro modelo MSX turbo R no Japão,
o FS-A1ST, a Panasonic lança em novembro de 1991 o segundo modelo turbo R,
o FS A1 GT. As principais diferenças do modelo anterior são: a expansão
da RAM para 512K, a inclusão da MSX-MIDI padronizada e a
gravação em ROM do MSXView, um ambiente operacional gráfico que se
tornou padrão no Japão.
Quando
o MSX foi o lançado em 1983, ninguém imaginou que uma máquina tão
inocente pudesse evoluir tanto. O MSX 2 surgiu logo depois, em 1985,
trazendo novidades como o gerador do sons FM e a memória mapeada, capaz do
ser expandida até 4 Megabytes. Em 1988 veio o MSX 2+, cujo ponto forte é
seu VDP, o V9958, que transborda pela tela até 19.268 cores simultâneas a
tem recursos internos de scroll fino na vertical e horizontal, movimentação
de áreas de tela, recursos do sincronização externa, digitalização do
imagens e até "superimpose" (mixagem de um sinal gerado
externamente com o sinal gerado pelo VDP).
Depois
veio a surpresa. Quando todos acreditavam que o MSX tivesse esgotado todos
os seus recursos, foi lançado o MSX turbo R em outubro do 1990. Um micro
muito bem concebido, com uma potente CPU do 16 bits, o R800, que superou as
expectativas até dos mais otimistas MSXmaníacos. Este modelo trazia corno
novidade o PCM, um digitalizador ou "sampler" do sons com inúmeros
recursos.
Mas
a evolução não parou por aí. Em novembro de 1991 foi lançado no Japão
o segundo modelo MSX turbo R, o FS-A1GT, com três melhorias marcantes em
relação ao A1ST: a expansão da RAM para 512K, a inclusão e padronização
da MSX-MIDI e o sistema operacional gráfico MSXView gravado em ROM.
O
MSXView
O
MSXView é um ambiente operacional gráfico como o Workbench do Amiga ou o
Windows do PC. No FS-A1GT este ambiente já vem gravado em ROM, ocupando 496
Kbytes. Para o FS-A1 ST o software pode ser obtido em disquete.
O
MSXView funciona sob o MSXDOS versão 2.3 e pode ser operado através do
teclado ou com o mouse. Após carregado, passa-se a trabalhar com ícones e
menus, bastando colocar o apontador do mouse sobre a opção desejada e
pressionar o botão esquerdo do mouse duas vezes ou "GRAPH" +
"SELECT" no teclado. Apesar dos menus estarem em japonês, não é
muito difícil aprender a operá-lo, pois a maioria dos menus traz a seu
lado uma letra, como por exemplo "Y" para "yes",
"L" para "load", "S" para "save"
etc.
O
MSXView é dividido em quatro módulos principais,o ViewDRAW,o ViewPAINT,o
ViewTED e o PageBOOK. É um software poderoso que facilita muito a operação
do micro, apesar de dar um pouco de trabalho no começo, devido aos menus
estarem em japonês. Com um pouco de prática, entretanto, isso não chega a
ser um grande problema.
O
PCM
Além
do PSG e do FM, que juntos geram 14 vozes, o turbo R traz também o PCM
("Pulse Code Modulation" - Modulação por código do pulsos) que
é o mesmo processo usado nos CDs para gravação e reprodução de músicas.
A ROM do MSX possui quatro velocidades de amostragem (freqüência com que
os sons são captados e gravados na RAM). Esse sistema permite reproduzir
qualquer som existente na face da Terra e também pode acrescentar efeitos
ao som gravado. Além disso, o PCM também permite que o som captado seja
manipulado em tempo real. Com isto pode-se, por exemplo, mudar o timbre da
voz, equalizar os sons, acrescentar eco etc.
O
PCM pode também reconhecer a voz humana. Para tal, os fonemas são gravados
na RAM e o som captado pelo microfone é comparado com esses fonemas para
verificar qual som corresponde a certo fonema. Para isso, entretanto, é
necessário software específico muito complexo.
Além
de tudo isso, o PCM pode ser acessado pelo BASIC através dos comandos CALL
PCMREC e CALL PCMPLAY. Enfim, o PCM é um recurso muito poderoso e dá uma
certa "magia" ao som do MSX.
A
MIDI
MIDI
significa "Musical Instruments Digital Interface",ou seja,
interface digital para instrumentos musicais. O FS-A1GT traz uma MIDI
incorporada com dois conectores DIN na traseira do micro, denominados MIDI
IN e MIDI OUT. Assim, pode-se conectar um sintetizador ao micro e controlá-lo
através da MIDI. A MSX-MIDI controla simultaneamente até 32 vozes do som
estéreo, o que é realizado pelo MSX-SERIAL 232, através do um canal DMA.
Além disso, a MIDI pode ser usada simultaneamente com o PSG, o FM e o PCM,
tornando o A1GT um dos micros mais flexíveis já concebido em termos de
som.
Os
jogos mais novos, como o ILLUSION CITY, podem fazer uso da MIDI, tornando
sua trilha sonora verdadeiramente estonteante. A MIDI também pode ser
acessada pelo BASIC através dos comandos CALL MDR, PLAY #n, além de
outros. Enfim, a inclusão da MSX-MIDI padronizada ao MSX não é uma evolução,
é uma revolução para essa linha do micros.
O
"Color Word Processor"
No
painel do micro existe uma chave que habilita ou desabilita durante o RESET
do micro o "Color Word Processor" (processador do textos colorido)
que ocupa 608 Kbytes da ROM. Infelizmente para nós brasileiros, ele tem
pouca ou nenhuma utilidade, já que está dimensionado para processar textos
japonês. Existe também o modo inglês, que contém todos os caracteres
acentuados do português, mas o software atribui a esses caracteres códigos
que são completamente diferentes dos das impressoras encontradas no Brasil.
Além disso, se houver imagens misturadas aos textos, o software ativa o
modo gráfico da impressora, que pressupõe ser um modelo do 48 agulhas,
inexistente no Brasil. A impressora ideal é a FS-PC1 da Panasonic de 48
agulhas, só que esse modelo ainda não está disponível no Brasil.
Um
Pouco da arquitetura interna
O
MSX turbo R usa duas CPUs. Uma CPU é o Z80A trabalhando a 3,579545 MHz e a
outra é o R800 trabalhando a 28,63636 MHz, totalmente compatível a nível
do instruções com o Z80A.
Um
ponto que tem causado um pouco do confusão é o clock do R800. Ao analisar
a arquitetura interna do micro, tudo fica mais claro. O R800 trabalha
realmente a 28,63636 MHz com um bus de dados de 16 bits. Mas ao atravessar o
chip-set S1990 (um "chipão" de 160 pinos), o clock é reduzido a
um quarto, ficando em 7,15909 MHz e o bus de 16 bits é multiplexado para 8
bits. Esse bus do 8 bits a 7,16 MHz percorre todo o micro, inclusive para o
acesso à memória. Isso foi feito tanto por questão de compatibilidade
como por questão do economia, já que um bus do 8 bits a 7,16 MHz é muito
mais econômico que um bus do 16 bits a 28,64 MHz.
Alguns
podem indagar porque o R800 trabalha a 28,64 MHz se todo o acesso ao micro
é feito em 7,16 MHz. Isso é um truque que permite aumentar a velocidade do
processamento sem aumentar muito o custo. Cada vez que se dobra o clock
interno do microprocessador mantendo o mesmo clock externo, a velocidade de
processamento aumenta cerca de 60%. Assim, o R800 trabalha pelo menos duas
vezes e meia mais rápido do que se funcionasse a 7 MHz. Assim, fica
esclarecido o “mistério” do clock do R800.
Considerações
finais
Com
esse artigo, espero ter passado um pouco do que é o MSX turbo R FS-A1GT e
suas potencialidades. Aqui deve ser lembrado que a sigla "MSX" não
significa apenas um micro ou um padrão de micros, é mais que isso. É uma
filosofia de expansibilidade, de compatibilidade e principalmente de
respeito ao usuário. Aqueles joguinhos do 8 ou 16 Kbytes, feitos lá pelos
idos do 1983 ou 1984 causam uma certa nostalgia ao serem colocados para
rodar no A1GT e servem pra confirmar a filosofia citada.
Se
alguém estiver imaginando que o MSX vai parar por aqui. a resposta é não.
A ASCII japonesa já desenvolveu dois novos VDPs denominados V9978 c V9990
que vão equipar a próxima geração dos MSX, substituindo o atual V9958.
Existem rumores de que eles podem controlar gráficos do milhões de cores
com velocidades estonteantes. A nós, brasileiros, resta-nos ficar na
expectativa e aguardar os acontecimentos na Terra do Sol Nascente, esperando
pelo melhor.
Características
técnicas básicas
Panasonic FS-A1GT
PROCESSADOR
Z80A
- 8 bits - 3.579545 MHz
R800
- 16 bits - 28.63636 MHz
VIDEO
VDP
V9958 - 21.47727 MHz, 12 modos de tela
Texto:
24 linhas x 32/40/80 colunas (modo normal)
12/24
linhas x 32/40/80 colunas (Kanji Driver)
Resolução
máxima: 512 x 424 pixels
Cores:
19.268 simultâneas
Saídas:
RGB, S-vídeo, Vídeo Composto, RF (Sistema NTSC a PAL‑N)
AUDIO
PSG:
3 vozes + 1 ruído branco, modulação AM
FM:
9 vozes, modulação FM, 2 osciladores
PCM:
1 voz, modulação por código de pulsos
-
Resolução de 8 bits - 4 freqüências de amostragem: (3,94KHz,
5,25KHz, 7,88KHz a 15,75KHz)
-
Microfone embutido no gabinete para digitalização do sons
-
Entrada para microfone externo
MIDI
Embutida
no gabinete, sistema MSX-SERIAL 232
-
taxa de transferência 31,25 Kbauds
-
conexões MIDI-IN e MIDI-OUT
Saída:
1 canal monofônico, com MIDI desativada
RAM
Vídeo:
128 Kbytes
S-RAM:
32 Kbytes (mantida a bateria)
Main:
512 Kbytes
Expansão
externa até 4 megabytes
ROM
MSX-BASIC
ver. 4.0 (80 Kbytes)
MSXDOS
versão 1 + DISK BASIC versão 1 (16 Kbytes)
MSXDOS
versão 2 + DISK BASIC versão 2.1 (48 Kbytes)
MSX-MUSIC
BASIC (FM BASIC) (16 Kbytes)
COLOR
WORD PROCESSOR (608 Kbytes)
KANJI
ROM (512 Kbytes)
JISI
a JIS2 ROM (256 Kbytes)
MSXView
(496 Kbytes)
Total:
2032 Kbytes
OUTROS
Ren-sha
turbo
2
slots de 50 contatos para expansão, 2 conectores AMP do 9 pinos para mouse,
joystick, etc.
Saída
para impressora, padrão Centronics (AMP 14 pinos)
Relógio/calendário
interno mantido a bateria
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