TK85(Fonte: Micro Sistemas - Fevereiro 1984)

OS PEQUENOS NOTÁVEIS

                 No Brasil, a família Sinclair serviu de espelho a produtos de cinco empresas: Microdigital (TK80, TK82-C, TK 83 e TK85), Prológica (NE-Z80, NEZ-8000, e CP-200) e, mais recentemente, CDSE (Apply300), Engebras (AS-1000) e Ritas do Brasil (Ringo).
                Os primeiros a serem lançados foram, respectivamente, o NE-Z80 e o TK 80. Virtuais réplicas do ZX80 em hardware e software, esses equipamentos tiveram vida breve, pois logo foram substituídos pelos NE-Z8000 e TK82-C, que emulavam o ZX81. Essa emulação, contudo, dava-se apenas a nível de software, uma vez que em hardware essas máquinas permaneciam basicamente um ZX80 adaptado para rodar o sistema operacional do ZX81. Essas adaptações, aliás, contrariavam bastante as boas técnicas de projetos de circuitos, pois eram cheios de jamps (com o conseqüente excesso de fios), interligados com pernas cortadas, etc.
                Com um circuito melhor acabado que o 82-C, o TK85, quando saiu, era o Sinclair nacional de maior memória interna, com uma versão de 48 Kbytes RAM, e trazia ainda como novidades algumas sub-rotinas para gravação/recuperação em fita em alta velocidade. O CP-200, que chegou às lojas aproximadamente na mesma época que o TK85, no início do ano passado, apesar de ser construído com tecnologia TTL  e ter em comum com o ZX81 apenas o BASIC Sinclair, representou uma evolução em termos de projeto, uma vez que apresentava um circuito bem desenhado, sem as adaptações que caracterizaram os primeiros modelos tanto da Prológica quanto da Microdigital.
                O TK83, lançado em outubro último, foi o primeiro ZX81 legítimo, cujo circuito é constituído de apenas quatro chips, um deles sendo a famosa ULA, projetada por Clive Sinclair para cumprir as funções de 18 integrados, os quais substituiu.
                Já os micros mais recentes, como o Apply300 e, principalmente, o AS-1000 e o Ringo, seguem uma nova tendência do mercado brasileiro de pequenos equipamentos, que consiste em oferecer produtos de baixo preço compatíveis com o BASIC Sinclair, mas que apresentam possibilidades de expansão capazes de lhes proporcionar um desempenho antes possíveis somente aos sistemas de maior porte.

UCP E MEMÓRIA

 Todos os equipamentos nacionais, a exemplo do Sinclair original, utilizam o microprocessador Zilog Z80A, com clock de 3,25 Mhz. É uma velocidade razoável para um micro de 8 bits, mas nos equipamentos Sinclair ela fica um pouco prejudicada porque, devido ao pequeno número de integrados, a UCP torna-se diretamente responsável por toda a supervisão e controle dos sistemas, além da sua tarefa básica, que é o processamento lógico-aritmético.
                Em termos de memória, os nossos equipamentos encontram-se em posição bastante confortável, seja em relação à família Sinclair ou a outros micros, destacadamente os TRS. Os de menor capacidades - TK82-C e 83 - vêm de fábrica com 2 Kbytes RAM, que é pouco mas é o dobro da capacidade standard do guru inglês, o ZX-81, que vem de fábrica com apenas 1 K. E todos - à exceção somente do CP-200, que já vem de fábrica com 16 K RAM e não admite expansões - podem chegar até os K RAM. 

TECLADO

                 Os teclados são um dos pontos que mais caracterizam esses equipamentos, em relação aos sistemas maiores. A utilização de um teclado profissional, como os que encontramos nos Apples e TRS-80, torna-se inviável nos equipamentos de linha Sinclair basicamente por dois motivos: o preço (um bom teclado eletrônico profissional pode custar tanto ou mais que o preço final de um desses micros) e o tamanho, incompatível com as dimensões desses equipamentos. Essas limitações levam os fabricantes a adotarem tecnologia mais simples e baratas. O mais simples desses teclados é o de membrana no qual a matriz de chaves que o constitui é recoberta por uma película de material plástico com as "teclas" impressas. Sua grande vantagem é a durabilidade pois, por ser selado e não ter partes móveis, não é prejudicado pela poeira e não tem desgastes mecânico. Uma variação mais sofisticada desse tipo é o teclado de bolha, que incorpora, entre a chave e a membrana, uma calota de material flexível que, quando pressionada, fecha o contato. Há ainda os teclados tipo calculadora - como o que equipa o CP-200 -, os de borracha condutiva e os do tipo "chicletes", que os fabricantes preferem chamar pelo nome mais elegante de "semi-profissional".                 Do ponto de vista operacional, os teclados de membrana são os mais lentos e menos confiáveis, requerendo grande atenção no seu manuseio. O usuário de um micro equipado com esse tipo de teclado desde cedo aprende que deve digitar com cuidado, com a ponta do dedo e no centro da tecla. E nunca é demais a preocupação de dar uma olhadinha no vídeo para ver se o caracter digitado está mesmo lá. Há também quem prefira digitar os seus programas em FAST, Assim, o tremor da tela, percebido de rabo-de-olho enquanto o usuário se concentra no teclado, é uma garantia de o caracter entrou. Além da fadiga visual (atenção dividida entre teclado e vídeo) e dos braços e dedos (que devem permanecer tensos), há ainda um stress psicológico causado por não se sentir no tato - ou mesmo auditivamente - o funcionamentos das teclas, cansaço esse que cresce proporcionalmente ao tamanho do programa a ser digitado.    
               
No teclado de bolha (utilizado no AS-1000), apesar de suas limitações, essa situação melhora um pouco. A começar pela sensação táctil de se estar realmente pressionando uma tecla e pelo "click" que se ouve ao fechar o contato. a confiabilidade aqui é maior, e a rapidez de operação acentua-se, à medida que diminui o cansaço.
                A eficiência do teclado do TK85, por sua vez, não é tão grande quanto sugere o seu bonito design. As teclas são grandes e a legibilidade é bastante boa, mas há um problema: se não forem pressionadas exatamente no centro, as teclas tendem a prender embaixo, obrigando o operador a puxá-las de volta para a posição normal, o que compromete a velocidade da digitação. De maneira geral, contudo, esse teclado é mais rápido e confortável que o de membrana.
                já o teclado tipo calculadora usado no CP-200 é bastante confiável e eficiente. Ele não prende é muito difícil o computador não validar o caractere de uma tecla pressionada (salvo em raros casos de muito má operação) e proporciona ao usuário a agradável sensação de estar usando um teclado de verdade, além de tornar mais rápida a digitação. A única restrição mais significativa que se pode fazer a esse tipo de teclado refere-se ao tamanho das teclas, muito pequeno.
                Quanto aos modelos tipo clientes, apresentam rapidez e confiabilidade semelhante ao do tipo calculadora, com a vantagem adicional de que teclas são maiores. Esse teclado é utilizado por dois micros nacionais: o Apply 300 e o Ringo.

VÍDEO

                Imagem em preto e branco, em baixa resolução, com saída apenas para TV comum via modulador RF, são as características básicas de vídeo de todos esses equipamentos. Todos têm 22 linhas (mais duas reservas para mensagens de status, e às quais o usuário normalmente não tem acesso) por 32 colunas e a baixa resolução deve-se ao fato de que nos equipamentos de linha Sinclair só se pode lidar com caracteres inteiros, não sendo possível manipular os pontos que compõem esses caracteres (para uma idéia mais detalhada a esse respeito, veja o artigo Arte e técnica na tela do computador, MS n.º 27, pág. 10). Essas limitações, contudo (e como mostra o artigo citado), não impedem que se faça muita coisa em termos de desenho e gráficos. E para os mais exigentes, já começam a ser lançadas na praça placas de circuito que liberam os bits dos caracteres, permitindo, assim, manipular mais de 40 mil pontos na tela.
              A utilização de modulador de RF prejudica um pouco a qualidade da imagem (muito instável, sobretudo nos Prológica NE-Z8000 e CP-200) e a instalação de vídeo direto, injetando o sinal diretamente no amplificador de vídeo da TV, sempre traz bons resultados. O modo de operação do vídeo - normal ou reverso - é outro aspecto que merece destaque. O fundo branco (característico dos TKs) cansa mais a vista e prejudica a leitura do que fundo preto (dos Prológica), por permitir que oscilações da rede elétrica e outras interferências passem a fazer parte da imagem. A solução para esse problema é instalar uma chave inversora de vídeo que permita ao usuário escolher o modo de operação que julgue mais conveniente ambas essas alterações - vídeo direto e chave inversora - são fáceis de fazer e não custam muito, mesmo quando realizadas numa oficina de assistência técnica. No Ringo - no modelo standard apresentado na III feira de informática - a inversão de vídeo é feita através de uma tecla específica para esse fim.

DESIGN  E  ACABAMENTO

                 Em termos de visual os equipamentos nacionais melhoram bastante desde os tempos heróicos do NE-Z80 e do TK80. Estes, juntamente com os seus sucessores diretos - NE-Z8000 e TK82-C -, mais pareciam protótipos de laboratório, de linhas tocas e feias, do que propriamente produtos industriais vendidos ao público. O CP-200, lançado em outubro de 1982 (apesar de só chegar às lojas meses depois), foi o primeiro desses equipamentos nacionais a realmente ter uma aparência de computador. Gabinete moldado em poliuretano, linhas suaves e harmoniosas e cor discreta, além da fonte interna que diminuiu o número de conexões e de fios dispersos na estação de trabalho fizeram do CP-200 um verdadeiro produto acabado. Seu único pecado aparente: o tamanho, exageradamente grande para um micro de sua classe, e que o torna possivelmente o maior Sinclair do mundo. 
                Em seguida veio o TK85, com um grande gabinete bem semelhante ao do Spectrum (apesar de nada ter a ver com esse modelo em termos eletrônicos e operacionais - veja quadro sobre Clive Sinclair). É talvez o mais bonito dos micros nacionais dessa classe: dimensões reduzidas, teclas grandes e legíveis, muito leve e fácil de transportar. Não incorpora, porém a fonte de alimentação, que é a mesma dos outros TKs.
                Já o TK83 veio para corrigir as falhas estéticas do modelo 82-C, o qual substitui. É um equipamento de linhas simples, mas agradáveis de ver. Em vez do preto fosco do 82-C, um suave champanhe. Um teclado bem posicionado; peso e dimensões reduzidos.
                Quanto ao Apply 300, ao AS-1000 e ao Ringo, se não chegam a impressionar pela beleza do seu design, não desagradam ao olhar. As linhas são bastantes simples e despojada, sem grandes variações no relevo do gabinete, cores neutras, com os teclados ocupando a maior parte do espaço disponível na parte superior do gabinete. As fontes e as expansões de memória localizadas internamente ajudam a reforçar a funcionalidade desses aparelhos. 
 

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